Book of Vile Darkness
Achei essa matéria fuçando meu nome na internet, foi escrita em 2003, mas como o livro continua atual, vale ler e lembrar.
Quando a Wizards disse que iria lançar o Book of Vile Darkness, fiquei no mínimo curioso. Afinal, uma empresa que sempre foi politicamente correta estaria lançando um livro com material adulto, onde seriam tratados assuntos como sacrifícios humanos (no caso do D&D de seres inteligentes), doenças, drogas, satanismo (mais uma vez uma adaptação: cultos a demônios) e prostituição. Bom, de tudo ai só a parte de prostituição ficou de fora.
E foram buscar um autor de nome para o projeto, o Sr. DM Guide Monte Cook. Monte anda fazendo trabalhos como freelancer para a WotC, e o BoVD é um dos seus mais ambiciosos projetos. Em breve ele lançará outro livro, Ghostwalk, em co-autoria com o ex-WotC Sean Reynolds. A Wizards está buscando freelas para escrever livros que não são mainstream, pois assim caso não venda, a culpa não é diretamente deles. Mas isso é outra história.
O livro, de 1 a 10, é um 7. Se você estiver num dia particularmente "mau", pode ser um 8. Como é de praxe, a qualidade do livro é excelente. Capa dura (com uma ilustração meio maluca, uma asa de morcego), totalmente colorido, ilustrações maravilhosas da equipe liderada por Dawn Murin (tem até desenho do Jeff Easley!) e bem escrito. Meio caro para um livro de 192 paginas, mas na minha opinião os $32,95 são bem gastos. O livro é bem dividido, e as seções de "A natureza do mal", "regras variantes", "feats" e "magias" são as melhores. Sempre vão aparecer feats e magias novos, tudo bem, mas sempre dá pra encontrar um lugar onde usar. Temos também um capítulo de classes de prestígio, como sempre. O problema é que as classes deste livro são muito específicas, e se você não tem Baalzebul na sua campanha, por exemplo, é uma classe que acaba se tornando sem propósito.
Mas ainda acho que você deveria incluir estes "Lordes do Mal" na sua campanha. Temos os príncipes dos diabos e demônios (em inglês temos esta distinção, Devils e Demons, e no D&D são duas coisas diferentes, moram em locais diferentes e vêem e praticam o mal de forma diferente) e eles dão excelentes arqui-inimigos. Nada como construir uma campanha em torno da iminente invasão das forças de Orcus, ou sobre os desenlaces das intrigas por entre Belial, Baalzebul, Asmodeus e seus consortes. Tanto que na primeira edição várias aventuras foram feitas em cima desta galera, com as principais sendo a saga de Bloodstone Pass em FR e as aventuras de um paladino nos infernos em "A Paladin in Hell" (esta baseada na clássica ilustração de um paladino combatendo forças demoníacas, presente no Livro do Jogador 1a edição). Eu sempre uso estes seres como a epítome do mal em minhas campanhas, e o Book of Vile Darkness oferece alguns bonuses para fazer isto.
Monte Cook também discursa sobre personagens maus, e grupos maus, e como eles agiriam na campanha. Minha posição sobre isto é que uma campanha má, embora possa ser atrativa em primeira instância, pode trazer sérios problemas. Não somos serial-killers, nem maus e loucos a ponto de entender como funciona a mente de um psicopata. Tome como referência os filmes sobre Hannibal Lecter, leia sobre Adolf Hitler, e começará a compreender um pouco das dimensões do mal, e o que ele realmente é.
Eu prefiro ser o cara que derrota esses ai.
E o que mais dá para usar do BoVD? Muita coisa. Não é um livro que irá mudar sua campanha, mas pode adicionar coisas a ela. Nunca é demais ter referências, quanto mais, mais surgem as idéias, e mais legal ficam as aventuras. Seus vilões ficarão mais ricos, mais malignos, e serão melhores oponentes para seus jogadores. E se você é um jogador, e pretende jogar com um personagem "do lado negro", este livro pode te dar "más ideias".
Mas não se esqueçam: O maior vilão dos cinemas virou casaca no último filme, e seu fantasminha apareceu vestido de branco e sorrindo...
outubro 27, 2006 in RPG | Permalink | Comments (0)
Uma exclusiva com Salvatore!
Uma exclusiva com R. A. Salvatore!
Por Paulo André Vieira e Mauricio "Paladino do Norte"
Bem, eu considero Drizzt apenas um dos mais famosos. Eu vejo muita coisa sobre o Raistlin em diversos jogos! É uma sensação estranha. Uma vez eu chamei o Drizzt de minha benção e minha maldição. Minha benção porque que autor não gostaria de um sucesso como este com um personagem que tanta gente parece se identificar? E uma maldição porque é muito difícil para mim convencer as pessoas que eu tenho outros trabalhos nas estantes, incluindo algumas novelas que considero importantes, como DemonWars.
Porém, agora, eu penso em Drizzt como uma benção e ponto final. Eu tive muita sorte de inventar uma coisa que ao mesmo tempo era comum mas um pouco diferente ao mesmo tempo. Um herói clássico em um corpo único, por assim dizer. Por alguma razão, aquilo criou uma onda que continua rolando até hoje, quatorze anos depois. Eu sou um cara bastante sortudo. Eu deveria colocar "Drizzt" na placa do meu carro, já que foi ele que o comprou, e se não fosse pelo elfo negro, eu não teria o tempo ou a oportunidade de escrever DemonWars.
A idéia por trás da pantera veio do livro de Doug Niles, "Darkwalker on Moonshae", especificamente de Canthus, o cachorro amigo de Tristan, Daryth e os outros. Doug lidou com a relação entre eles de uma maneira esplêndida. Eu queria fazer alguma coisa um pouco diferente. Na verdade, Cantus e Daryth estavam na minha proposta para o primeiro capítulo de "The Crystal Shard", pois eu até então pensava que Forgotten Realms eram apenas as ilhas de Moonshae (os livros de Doug eram os únicos ambientados em Forgotten até então). Quando soube da verdade e trabalhei com um editor para encontrar um lugar no mundo que pudesse considerar uma criação minha, não quis desperdiçar as idéias que tive para um companheiro animal. Criou-se então Guenhwyvar. Eu tirei o nome das obras arthurianas de Mary Stewart, como "The Crystal Cave". De acordo com Stewart, Guenhwyvar e a grafia celta (eu acho que era celta) para o nome da rainha do Rei Arthur, e o nome significava "sombra". Quão perfeito não foi?
Quanto aos outros personagens, eles são meio que os arquétipos básicos (ou pelo menos começaram assim) das histórias de fantasia. Catti-brie nem estava na minha primeira proposta do livro, mas minha editora mostrou que faltava um personagem feminino em meu manuscrito. Aconteceu que minha esposa deu a luz a minha filha, Caitlin Brielle, quinze dias depois que entreguei os primeiros capítulos do livro, e Catti-brie, literalmente, nasceu ali.
Um atordoado silêncio. O que também foi a minha reação quando pensei sobre o que tinha acabado de dizer. Drizzt foi uma loucura do momento. Eu fui pressionado para criar um novo aliado para Wulfgar (que teoricamente seria a estrela), pois nós já havíamos mudado a história para longe de Moonshae, mas como já mencionei, Daryth e Canthus estavam na proposta de capítulo que eu havia enviado para a editora. Então minha editora me ligou desesperada, a caminho de uma reunião com o pessoal de marketing e precisando de um novo aliado para o personagem principal. Eu estava trabalhando como um especialista em finanças naquela época, com a mesa coberta de papéis, pressionado, e a idéia para o personagem e o nome Drizzt simplesmente apareceram na minha cabeça. Muito estranho.
Eu acho que tudo depende do tom que você quer imprimir no livro. A série do elfo negro, por conceito, deveria ser bastante sombria, e esse sentimento, obviamente, emanava de Lolth. Eu tentei manter os Deuses ao alcance das mãos. Eu tenho mais interesse em personagens com características humanas, mesmo que eles acabem sendo elfos negros ou anões.
Eu sinto que em Forgotten Realms, particularmente em coisas como os panteões dos Deuses, fornecem um pano de fundo que um autor pode moldar, até certo ponto, para se encaixar nas suas necessidades. E como cada autor escreve do seu próprio jeito...
É por isso que não gosto de dividir personagens!
Ele não foi realmente uma história de amor, na minha opinião. Ele foi (pelo menos metade dele) a história de uma jovem mulher que se deparou com uma difícil escolha. Ela ama um homem, mas sua mãe está mortalmente doente e a única pessoa que pode salvá-la e o dono das terras, que a maltrata. Eu acho que Meralda foi incrivelmente altruísta e heróica naquela história. Eu adorei examinar seus sentimentos, bem como os de seu pai, que chega até a espancá-la em um ponto do livro, de tão frustrado que está de não ter a capacidade de salvar sua esposa. Eu realmente gosto deste livro, e adorei escrevê-lo. Eu não tenho tanta certeza de que ele tenha fornecido aos fãs de Drizzt o tipo de ação ou escolhas morais que eles gostariam, mas, afinal de contas, é a minha série!.
Bem, eu trabalho em casa, faço meus próprios horários, e tenho mais dinheiro do que jamais pensei que um dia teria. Sou capaz de dar aos meus filhos não apenas uma boa qualidade de vida (nada de jatinhos particulares ou coisas do tipo!), mas o mais importante, eu pude, e posso, passar mais tempo com eles, treinar os times de suas escolas, assistir aos seus jogos no colégio, tudo enquanto a maioria dos outros pais ainda está no trabalho.
Uma celebridade? Acho que em alguns círculos. Eu já fui reconhecido - alguém uma vez ouviu uma conversa minha com Terry Brooks em um pequeno restaurante e colocou a transcrição da conversa em um site de Star Wars no dia seguinte. Aquilo foi um duro golpe! Um duro golpe em vários lugares...
Eu não me considero uma celebridade. Eu tenho uma vida tão normal quanto você possa imaginar. Eu acho que antes eu gostava muito mais da atenção do público do que agora, apesar de ainda achar divertido conhecer novas pessoas, a particularmente maravilhoso saber que meu trabalho tem tido um efeito positivo sobre o hábito de leitura de alguns jovens. Quando eu recebo cartas que começam com, "Eu não conseguia fazer meu filho/filha ler coisa nenhuma até que eu lhe entreguei um de seus livros", me dá um nó na garganta e me faz lembrar que meu trabalho é muito mais que cheques de direito autoral.
O lado ruim, claro, é que você tem que se expor a porradas de pessoas incrivelmente maldosas, particularmente em sites na internet, o que é a razão de raramente, se é que o faço ainda, freqüentar listas de discussão.
Eu vi o anúncio oficial, e me encontrei com algumas pessoas da Wizards/Hasbro e da Fireworks algum tempo atrás. Eu não tenho a menor idéia do que está acontecendo neste momento, ou sequer se terei alguma coisa a ver com este projeto. Eles sabem como me encontrar, e tendo em vista o recente sucesso dos filmes desse gênero, estou bastante empolgado com a possibilidade de ir para frente.
Quem faria os papéis? Já ouvi isso milhões de vezes. Alguns anos atrás, eu teria torcido para que Antonio Banderas fosso e Drizzt. Ele estava simplesmente ótimo no papel de Zorro. Porém, honestamente, eu não tenho a menor idéia. Eu nunca tinha ouvido falar do cara que fez o papel de Aragorn no filme do Senhor dos Anéis, mas, nossa, ele está ótimo. E o elfo... nem me deixe começar a falar sobre o Legolas. Um elfo perfeito, bem ali na tela!
Já que você é um jogador de RPG, o que você acha da ficha do Drizzt apresentada no novo livro de Forgotten Realms? Você não acha que eles o fizeram um pouquinho fraco demais? Não faria mal a ninguém que suas espadas, Twinkle e Icingdeath, fossem um pouquinho mais poderosas...
Não faço idéia do que eles fizeram com ele, e na verdade nem me importo. Fraquinho? Super poderoso? Não faço idéia; eu acho que é tudo relativo. Se o personagem mais poderoso do seu jogo é de nível 5, alguém de nível 15 vai se parecer com um Deus, mas se os seus jogadores já estão todos no nível 20, o mesmo nível 15 não passa de outro NPC qualquer. Eu sempre considerei o Drizzt um pequeno jogador em um imenso mundo, abençoado com uma boa dose de talento, uma razoável quantidade de sorte, e o mais importante de tudo, alguns dos melhores amigos que alguém poderia querer. Isso pode mudar, já que tocamos no assunto, e não para melhor.
Nós estamos jogando uma mistura de 1a e 2a edição agora, mas estaremos migrando para a terceira edição em breve, se tudo correr bem com meus planos. Eu estou simplesmente muito ocupado agora com a novelização de Star Wars e as continuações das séries DemonWar e Dark Elf para aprender um novo sistema e começar uma nova campanha. Nós (meu grupo de jogo) também nos encontramos uma vez por semana para jogar Everquest.
Eu tenho dois personagens que gosto muito, o primeiro um amargurado guerreiro élfico e o outro um meio-orc bárbaro que acabou de se tornar o campeão de Anhur, Deus do panteão de Mulhorand. Qual o seu personagem mais memorável?
Belexus Backavar, meu guerreiro da primeira edição. Ele era bem diferente do Belexus de " Echoes of the Fourth Magic", por falar nisso, apesar de ambos compartilharem os mesmos atributos físicos. Ele é o único personagem que cheguei a elevar até o status de Deus, por assim dizer, chegando a alcançar alguma coisa perto do 27o nível. Ele destruiu várias cidades ao longo do caminho, tenho que admitir.
Eu também joguei com Oliver deBurrows, meu halfling dos livros da série "Sword of Bedwyr", por um curto espaço de tempo. Um sujeitinho bem irritante. Acabou morto, e quando meus companheiros jogadores comemoraram, soube que ele merecia estar em um livro.
Bem, eu já assisti o filme três vezes (isso nos primeiros quatro dias de exibição), então acho que isso responde a pergunta. Eu amei o filme! Simplesmente amei! Ele me levou direto para a Terra Média. Meus profundos agradecimentos para Peter Jackson, sua equipe e aos atores. Que trabalho maravilhoso. E a Sra. Blanchett simplesmente me arrebatou como Galadriel. A maneira como ela olhava para o pobre Frodo pelo canto de seus lindos e terríveis olhos me causou calafrios na espinha. Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso!
Sim e não. Eu não estava nem um pouco empolgado quando me disseram para matar o Chewie DEPOIS que eu havia assinado o contrato para "Vector Prime", pode ter certeza. E eu certamente não quero ser conhecido como o cara que matou a bola de pelos mais querida do mundo! Ao mesmo tempo, eu tive a oportunidade de conhecer tanta gente maravilhosa na Lucasfilms, incluindo o próprio George Lucas, e eu acabei de receber uma cópia de "Vector Prime" pelo correio, assinada, "Bob, Chewie vive!" por Peter Mayhew (que interpretou Chewie nos filmes). Você simplesmente não substitui experiências como essas.
A respeito de ter sido chamado para escrever a novelização do Episódio II, foi provavelmente a maior honra que já tive em minha carreira como escritor profissional. Mostrou que confiam em mim e foi na verdade um tapinha nas costas, e o tapinha de uma lenda, nada menos que isso. Tenho tido bastante trabalho com ela, e incrivelmente satisfatório. Espero que George Lucas esteja satisfeito com minha expansão de sua visão.
Você já leu algum dos livros do Harry Potter, de J. K. Rowling? O que você acha do jovem feiticeiro com a cicatriz de relâmpago na testa?
Eu li parte de um dos livros e acho que são lindamente bem escritos, mas um pouco fora do meu gosto pessoal. Cada um de nós tem seus próprios gostos, e Harry Potter não funcionou realmente comigo; mas, veja bem, já estou meio insensível por todos estes anos no mercado de literatura de fantasia. Por outro lado, eu não tenho nada menos que respeito pela Sra. Rowling e o que ela realizou. Ela deve se sentir muito, mas muito bem por sua contribuição para toda uma geração de leitores. E eu, como um escritor de fantasia para aqueles um pouco mais velhos, certamente a agradeço por ensinar toda uma geração a usar sua imaginação.
Eu estava na Inglaterra mais ou menos uma década atrás com um maravilhoso escritor chamado Tom DeHaven. Nós fizemos uma entrevista juntos para a BBC e nos perguntaram se entendíamos porque Tolkien não era tão prontamente abraçado pelo típico jovem leitor daquela época. Tom deu uma resposta brilhante, na minha opinião. Ele disse que a sensibilidade das gerações mais novas mudou, devido à mídia a qual eles estavam mais expostos: a televisão. Lendo qualquer coisa mais antiga, a literatura pré-televisão por assim dizer, requeria uma maior dose de paciência do que a maioria das pessoas acostumadas com o ritmo louco da MTV e dos jogos de computador podem dispor. Não é uma crítica a tais pessoas, que fique bem claro, como muitos esnobes literários costumam apontar. Eles simplesmente absorvem a informação de maneira diferente, mais rápido, e provavelmente preenchem por conta própria uma grande quantidade de detalhes, já que viram muito mais coisas que, digamos, meu pai pudesse jamais ter visto. Eu duvido que meu pai tenha visto alguma outra luta de espada além daquelas dos filmes de Errol Flynn, enquanto meus filhos podem coreografar suas próprias lutas em diversos jogos de computador.
Eu pertenço a uma geração de transição. Cresci tanto com a televisão quanto com a literatura. Me considero afortunado pois a maneira como conto minhas histórias ressoa bem com gente o suficiente para que eu possa continuar as escrevendo. É tudo que um autor poderia desejar.
Jogos de RPG tendem a se esgueirar na minha vida sem que eu esteja esperando. Talvez haja alguma coisa no futuro. Meus dois filhos expressaram interesse (e mostraram verdadeiro talento) em criar algumas aventuras, então, quem sabe? Eu certamente não recusaria a chance de trabalhar com nenhum dos dois!
agosto 11, 2006 in RPG | Permalink | Comments (2)
Lost Empires of Faerun
Poucos mundos de RPG são tão detalhados quanto o carro-chefe da Wizards of the Coast, Forgotten Realms. Quando Ed Greenwood começou a escrever sobre os reinos em longínquas edições da revista Dragon nos idos de 1990, iniciou-se um projeto como nenhum outro no mundo dos RPGs. Nenhuma ambientação é tão rica em detalhes quanto FR, nem mesmo o World of Darkness, da White Wolf. Nestes 25 anos de Forgotten, centenas, senão milhares de publicações enriqueceram o que é hoje considerada a ambientação mais popular de RPG de todos os tempos.
E é exatamente isto que faz Lost Empires ser um dos melhores livros para Forgotten. Este mundo é muito rico em detalhes, e toda aventura que se preze em Toril deve fazer referência aos reinos, heróis e tesouros míticos que enriquecem o continente de Faerun. Ruínas de uma-vez poderosas nações se encontram pontilhando as terras deste mundo, e dentro de suas câmaras e salas empoeiradas encontram-se grandes tesouros e não menos, terríveis perigos. Ler sobre o passado enriquece a história deste mundo e soma a grandiosidade da fábula dos reinos. Ao explorar Myth Drannor, por exemplo, é muito mais legal saber que naquele mesmo chão, agora coberto por ervas e ruínas, existiu uma das mais avançadas nações daquele mundo, e que foi assolada em uma terrível batalha contra traidores, orcs e demônios.
A narrativa fica mais excitante e contribui muito para a sensação de metajogo.
Impérios de homens, anões, elfos e raças como orks, lizardmen e kobolds são descritos, assim como cinco novas classes de prestígio, 16 feats, magia, equipamentos, artefatos e 29 monstros novos. O livro segue o padrão WotC de qualidade, tem 192 páginas e custa $29,95.
Para jogadores e DMs, é uma excelente aquisição, tão boa quanto para aqueles que amam os Realms mas não jogam. A leitura é boa e vale a pena. Mesmo que você não jogue em FR, este é um livro que recomendo!
outubro 19, 2005 in RPG | Permalink | Comments (0)
Novidades!
Outubro vem a ser um bom mês para jogadores de RPG. Para aqueles que curtem jogos de super-heróis, a Green Ronin lança e excelente Mutants & Masterminds 2nd Edition. M&M, na minha opinião, é o melhor jogo de RPG de super-herois da atualidade, tão bom quanto o antigo Champions, que usava o Hero System. Tão bom, mas tão bom, que recebeu prêmios como Pen & Paper Fan Award for Best RPG, the ENWorld Award for Best d20 RPG, e o prestigioso EN World Peer Award de 2003. Este jogo, derivado do sistema d20, oferece completo controle sobre a criação de personagens, de modo que é capaz de criar qualquer herói que se queira. Um velocista que pega fogo? Um voador com garras de adamantium? Tudo é possível.
Outro lançamento do mês, desta vez pela WotC, é o “Heroes of Horror”. Este livro oferece tudo que jogadores de D&D precisam para jogarem em uma campanha de horror, ou colocar elementos nefastos e terríveis em suas aventuras. Personagens podem ser preparados usando feats, magias, classes e classes de prestígio novas (como é padrão em todos livros da WotC). Estão presentes novas regras e mecânicas para diversos tipos de terror, e monstros e ideias para aventuras. A editora tem o costume de bons lançamentos em livros genéricos para D&D, não tão bons como os para Forgotten Realms, mas bem úteis, e Heroes of Horror é mais um deles.
Nada mais apropriado para o mês do Halloween!
outubro 14, 2005 in RPG | Permalink | Comments (1)
Ultramodern Firearms
O que é um jogo de rpg moderno sem armas e equipamentos? Mesmo que você jogue uma campanha mais investigativa, cedo ou tarde irá precisar dar alguns tiros. É ai que este livro da Green Ronin vem a calhar. Esta editora pode não ter o dinheiro da WotC, mas suas publicações sempre são excepcionais, e ter investido no d20 modern logo de cara foi uma decisão sábia. Assim como a Sword & Sorcery lançou seu livro de monstros antes do Monster Manual, a GR lança o primeiro livro de armas para o recém-lançado d20 Modern.
São 158 páginas de armas de fogo (160, mas as 2 últimas são de anuncios) ricamente ilustradas (nada pior do que só ler as estatísticas da arma. Você quer visualizar com o que está atirando, ou melhor, saber qual foi a arma que o inimigo do 007 usou no último filme…) e escrito por Charles Ryan, um dos criadores do novo sistema para aventuras atuais. As ilustrações realmente ajudam. Jogo bastante games como Ghost Recon, Soldier of Fortune, e é legal ver as armas que se usam no computador representadas no rpg. Ajuda muito na ambientação.
O livro é dividido em classes de armas, como pistolas, submetralhadoras, rifles, etc., e com o último capítulo destinado a munições. Tudo ainda é classificado em tabelas para fácil visualização e uso no jogo, e são mais de 300 armas e 200 ilustrações no total. Quem pretende jogar d20 modern, ou spycraft, deveria comprar este livro. Até mesmo para quem gosta do assunto o livro é bom. Explicam-se as origens das armas (que além de estarem categorizadas por tipo, estão divididas por país de fabricação) e que armas são usadas por que forças especiais e policiais.
Um problema, porem: As armas, mesmo sendo diferentes, acabam tendo as mesmas variáveis de jogo. Ou seja, uma 9mm acaba dando cerca de 2d6-1 de dano, seja ela de uma Uzi, uma MP5 ou Sterling L34A1. Tudo bem, é a mesma munição, mas acaba que a quantidade de armas no livro na verdade oferece muito pouca diferença em termos de danos. Ou seja: Tanto faz você usar qualquer uma das 3 armas acima. Use a que parece mais legal, ou que tem mais a ver com a aventura/campanha/personagem. Em termos de mecânica jogo vai fazer pouca diferença.
Enfim: Pra quem gosta de armas, um bom livro. Mestres de d20 Modern, Spycraft e afins devem ter este compendio em sua biblioteca. Mas são $27,95, e $27,95 por 300 armas que na verdade são somente cerca de 20 variações de estatísticas pode ser meio pesado...
maio 26, 2005 in RPG | Permalink | Comments (1)
Book of Vile Darkness
Quando a Wizards disse que iria lançar o Book of Vile Darkness, fiquei no mínimo curioso. Afinal, uma empresa que sempre foi politicamente correta estaria lançando um livro com material adulto, onde seriam tratados assuntos como sacrifícios humanos (no caso do D&D de seres inteligentes), doenças, drogas, satanismo (mais uma vez uma adaptação: cultos a demônios) e prostituição. Bom, de tudo ai só a parte de prostituição ficou de for a. E foram buscar um autor de nome para o projeto, o Sr. DM Guide Monte Cook. Monte anda fazendo trabalhos como freelancer para a WotC, e o BoVD é um dos seus mais ambiciosos projetos. Em breve ele lançará outro livro, Ghostwalk, em co-autoria com o ex-WotC Sean Reynolds. A Wizards está buscando freelas para escrever livros que não são mainstream, pois assim caso não venda, a culpa não é diretamente deles. Mas isso é outra história.
O livro, de 1 a 10, é um 7. Se você estiver num dia particularmente "mau", pode ser um 8. Como é de praxe, a qualidade do livro é excelente. Capa dura (com uma ilustração meio maluca, uma asa de morcego), totalmente colorido, ilustrações maravilhosas da equipe liderada por Dawn Murin (tem até desenho do Jeff Easley!) e bem escrito. Meio caro para um livro de 192 paginas, mas na minha opinião os $32,95 são bem gastos. O livro é bem dividido, e as seções de "A natureza do mal", "regras variantes", "feats" e "magias" são as melhores. Sempre vão aparecer feats e magias novos, tudo bem, mas sempre dá pra encontrar um lugar onde usar. Temos também um capítulo de classes de prestígio, como sempre. O problema é que as classes deste livro são muito específicas, e se você não tem Baalzebul na sua campanha, por exemplo, é uma classe que acaba se tornando sem propósito.
Mas ainda acho que você deveria incluir estes "Lordes do Mal" na sua campanha. Temos os príncipes dos diabos e demônios (em inglês temos esta distinção, Devils e Demons, e no D&D são duas coisas diferentes, moram em locais diferentes e vêem e praticam o mal de forma diferente) e eles dão excelentes arqui-inimigos. Nada como construir uma campanha em torno da iminente invasão das forças de Orcus, ou sobre os desenlaces das intrigas por entre Belial, Baalzebul, Asmodeus e seus consortes. Tanto que na primeira edição várias aventuras foram feitas em cima desta galera, com as principais sendo a saga de Bloodstone Pass em FR e as aventuras de um paladino nos infernos em "A Paladin in Hell" (esta baseada na clássica ilustração de um paladino combatendo forças demoníacas, presente no Livro do Jogador 1a edição). Eu sempre uso estes seres como a epítome do mal em minhas campanhas, e o Book of Vile Darkness oferece alguns bonuses para fazer isto.
Monte Cook também discursa sobre personagens maus, e grupos maus, e como eles agiriam na campanha. Minha posição sobre isto é que uma campanha má, embora possa ser atrativa em primeira instância, pode trazer sérios problemas. Não somos serial-killers, nem maus e loucos a ponto de entender como funciona a mente de um psicopata. Tome como referência os filmes sobre Hannibal Lecter, leia sobre Adolf Hitler, e começará a compreender um pouco das dimensões do mal, e o que ele realmente é.
Eu prefiro ser o cara que derrota esses ai.
E o que mais dá para usar do BoVD? Muita coisa. Não é um livro que irá mudar sua campanha, mas pode adicionar coisas a ela. Nunca é demais ter referências, quanto mais, mais surgem as idéias, e mais legal ficam as aventuras. Seus vilões ficarão mais ricos, mais malignos, e serão melhores oponentes para seus jogadores. E se você é um jogador, e pretende jogar com um personagem "do lado negro", este livro pode te dar "más ideias".
Mas não se esqueçam: O maior vilão dos cinemas virou casaca no último filme, e seu fantasminha apareceu vestido de branco e sorrindo...
maio 24, 2005 in RPG | Permalink | Comments (4)
Dungeons & Dragons for Dummies
Quem pensou que chegariamos a isso? Depois de manuais para idiotas em praticamente tudo, chega as livrarias o imperdível Dungeons & Dragons for Dummies. Escrito por Bill Slavicsek, Rich Baker e Kim Mohan (time da pesada da WotC) este livro vai ensinar aquele seu amigo que resiste a jogar como realmente se faz.
Em suas 432 páginas, você vai aprender a fazer personagens, escolher magias e equipamentos, encontrar amigos e até mesmo se tornar o poderoso "Dungeon Master"! O livro é dividido em 5 partes: D&D Crash Course, explicando o que é o jogo; Building a D&D Character, que diz como escolher a melhor profissão e raça, colocar atributos no personagem e definir suas habilidades; Playing your best game, onde aprendemos maçetes de combate, magia e trabalho em equipe; The art of dungeon mastering, para aqueles que querem ser mestres do jogo e The part of tens, com uma lista das 10 melhores coisas do jogo.
O livro é escrito seguindo o padrão destes guias, com bom humor e tiradinhas bem inteligentes. Mesmo o jogador mais experiente pode tirar alguma coisa desse tomo, e seus amigos não-jogadores podem um dia pegar o livro, dar uma folheada e querer jogar!
Dungeons & Dragons for Dummies: Para o idiota que existe em você.
abril 26, 2005 in RPG | Permalink | Comments (2)
Warhammer Fantasy RPG
O mais popular jogo de estratégias medieval está ganhando um reforço para o mundo dos RPGs. Warhammer Fantasy RPG acaba de ser lançado pela novata Black Industries, braço para jogos de RPG da BL Publishing, cuja outra empresa, Black Library, vem lançando com sucesso livros e contos sobre o mundo de Warhammer e Warhammer 40.000 desde 1997 (A BL Publishing é uma empresa da Games Workshop). A Green Ronin, já veterana no mundo de RPG e talvez a numero 2 do mercado (atrás somente da gigante Wizards of the Coast) será responsável pela distribuição e logística do produto.
Este RPG é uma evolução natural da primeira edição, de 1986, e teve como principal mudança a maneira que a magia é tratada – outrora usando pontos para fazer magias (lembrando em alguns momentos o Spell Law de Rolemaster com seus power points), o sistema agora é diferente, usando dados para fazer as magias. As mudanças tornaram o jogo mais ágil, tendo como foco pricipal a diversão do jogador e não a maneira que as regras são interpretadas (tendência trazida de todos os jogos que hoje em dia usam o sistema d20, onde a simplificação das regras só contribiu para o fator diversão).
O mundo de warhammer é uma excelente ambientação para um RPG. Conta com raças muito bem desenvolvidas, uma geografia bacana e alguns vilões estabelecidos. Aspectos religiosos são bem escritos, com cada povo ou nação com seu panteão correspondente. Predomina um clima bem nefasto, quase que de humor negro, por sobre a campanha. Isto a faz ser bem diferente dos ambientes de “high fantasy” da maioria dos cenários de fantasy presentes no mercado, e a torna mais “palpável” e “crível” (se é que é possível acreditar em elfos, anões e orcs). Escrito a muitas mãos, contribuiram para tornar este tomo de 256 páginas verdade Chris Pramas, Rick Priestley, Graeme Davis, Gav Thorpe and Dan Abnett, autores de sucesso de diversas publicações da GW.
Parece ser uma boa para quem quer jogar alguma coisa diferente de d20 hoje em dia – Warhammer jogado como wargame é fabuloso, o RPG não deve ficar atrás!
Ah, antes que me esqueça: Existem grandes chances de Warhammer 40.000 virar um RPG também!
abril 18, 2005 in RPG | Permalink | Comments (5)
Preguiça não é desculpa!
As vezes penso que o bom DM é aquele que está preparado para qualquer situação, que sabe lidar com o imprevisto dos jogadores tomarem uma decisão diferente da antecipada e consegue, sem perder o pique, dar continuidade a aventura e ao mais importante: a diversão.
Só que as vezes é muito difícil tirar da cartola um monstro, quebra-cabeças, npc ou até mesmo dungeon (não vou traduzir para calabouço porque jogamos Dungeons & Dragons e não Calabouços & Dragões). Consequentemente, quanto melhor preparado em recursos o DM estiver, melhor ele lida com situações adversas. Pensando nisso, a Wolly Mammoth Enterprises acaba de lançar em seu site http://www.mammothdungeons.com pacotes com dungeons gigantescos pré-desenhados. Em tres tamanhos, eles garantem dungeons com centenas de quartos (o dungeons épico tem 6500 quartos por nível) – o bastante para literalmente encher o saco do mais ávido “dungeon delver”.
Ultimamente tenho estado sem paciência para desenhar dungeons, aproveitando desenhos antigos e mesclando pedaços de mapas. Com o dungeon da Wolly Mammoth fica bem mais fácil, basta rechear de monstros e armadilhas e dar uma pitadinha de tesouro e voila! Um dungeon pronto em suas mãos!
abril 7, 2005 in RPG | Permalink | Comments (0)
Cavaleiros da Mesa de Jantar
Quando lí Cavaleiros da Mesa de Jantar achei que estava lendo sobre meu grupo de RPG. Intitulado a “Legião do Aço”, este grupo teve tres ou quatro encarnações sempre girando em torno da minha esposa, meu grande amigo PA e eu. Jogamos juntos por quase 5 anos, com membros que iam e vinham, e alguns que vieram e se foram (ainda bem!). Ao ler “Cavaleiros”, era transportado para alguma segunda-feira dos últimos anos, e a leitura trazia boas e engraçadas recordações.
Cavaleiros da Mesa de Jantar (ou Knights of the Dinner Table) é uma engraçada tira publicada em várias revistas de RPG, mas mais proeminentemente na Dragon americana. Distribuida e editada no Brasil pela Devir, esta publicação da Kenzer & Cia. vale a pena ser lida por qualquer um que jogue ou conheça alguem que joga RPG.
Jolly Blackburn acertou em cheio ao publicar Cavaleiros na revista Shadis da Alderac Entertainment Group, em 1990. A tira conta a história das sessões de jogo dos inseparáveis amigos B.A. Felton, Brian van Hoose, Bob Herzog, Dave Bozwell e Sarah Felton. B.A. é o mestre, e a cada sessão é obrigado a encarar os desafios propostos por seus jogadores, enquanto eles superam os desafios da aventura. Temos de tudo, o role-player, o rules-lawyer, o chato... todo grupo tem um desses, e Cavaleiros mostra claramente quem é quem. Ler a revista é ser transportado para sua sessão de jogo, e é impossível não ver seus amigos nos personagens do grupo. Rola até uma viagem para um evento de RPG onde B.A. e sua trupe jogam... com eles mesmos! Nas minhas idas pro EIRPG em São Paulo algumas vezes joguei, e em todas joguei com meus amigos! Até ai Jolly Blackburn acertou em cheio.
Achei a revista muito boa, e vale cada centavo. Afinal, não é todo dia que se vê um grupo de intrépidos aventureiros enfrentar um Belvedere...
março 24, 2005 in RPG | Permalink | Comments (1)