« Dawn of War: Dark Crusade | Main
Book of Vile Darkness
Achei essa matéria fuçando meu nome na internet, foi escrita em 2003, mas como o livro continua atual, vale ler e lembrar.
Quando a Wizards disse que iria lançar o Book of Vile Darkness, fiquei no mínimo curioso. Afinal, uma empresa que sempre foi politicamente correta estaria lançando um livro com material adulto, onde seriam tratados assuntos como sacrifícios humanos (no caso do D&D de seres inteligentes), doenças, drogas, satanismo (mais uma vez uma adaptação: cultos a demônios) e prostituição. Bom, de tudo ai só a parte de prostituição ficou de fora.
E foram buscar um autor de nome para o projeto, o Sr. DM Guide Monte Cook. Monte anda fazendo trabalhos como freelancer para a WotC, e o BoVD é um dos seus mais ambiciosos projetos. Em breve ele lançará outro livro, Ghostwalk, em co-autoria com o ex-WotC Sean Reynolds. A Wizards está buscando freelas para escrever livros que não são mainstream, pois assim caso não venda, a culpa não é diretamente deles. Mas isso é outra história.
O livro, de 1 a 10, é um 7. Se você estiver num dia particularmente "mau", pode ser um 8. Como é de praxe, a qualidade do livro é excelente. Capa dura (com uma ilustração meio maluca, uma asa de morcego), totalmente colorido, ilustrações maravilhosas da equipe liderada por Dawn Murin (tem até desenho do Jeff Easley!) e bem escrito. Meio caro para um livro de 192 paginas, mas na minha opinião os $32,95 são bem gastos. O livro é bem dividido, e as seções de "A natureza do mal", "regras variantes", "feats" e "magias" são as melhores. Sempre vão aparecer feats e magias novos, tudo bem, mas sempre dá pra encontrar um lugar onde usar. Temos também um capítulo de classes de prestígio, como sempre. O problema é que as classes deste livro são muito específicas, e se você não tem Baalzebul na sua campanha, por exemplo, é uma classe que acaba se tornando sem propósito.
Mas ainda acho que você deveria incluir estes "Lordes do Mal" na sua campanha. Temos os príncipes dos diabos e demônios (em inglês temos esta distinção, Devils e Demons, e no D&D são duas coisas diferentes, moram em locais diferentes e vêem e praticam o mal de forma diferente) e eles dão excelentes arqui-inimigos. Nada como construir uma campanha em torno da iminente invasão das forças de Orcus, ou sobre os desenlaces das intrigas por entre Belial, Baalzebul, Asmodeus e seus consortes. Tanto que na primeira edição várias aventuras foram feitas em cima desta galera, com as principais sendo a saga de Bloodstone Pass em FR e as aventuras de um paladino nos infernos em "A Paladin in Hell" (esta baseada na clássica ilustração de um paladino combatendo forças demoníacas, presente no Livro do Jogador 1a edição). Eu sempre uso estes seres como a epítome do mal em minhas campanhas, e o Book of Vile Darkness oferece alguns bonuses para fazer isto.
Monte Cook também discursa sobre personagens maus, e grupos maus, e como eles agiriam na campanha. Minha posição sobre isto é que uma campanha má, embora possa ser atrativa em primeira instância, pode trazer sérios problemas. Não somos serial-killers, nem maus e loucos a ponto de entender como funciona a mente de um psicopata. Tome como referência os filmes sobre Hannibal Lecter, leia sobre Adolf Hitler, e começará a compreender um pouco das dimensões do mal, e o que ele realmente é.
Eu prefiro ser o cara que derrota esses ai.
E o que mais dá para usar do BoVD? Muita coisa. Não é um livro que irá mudar sua campanha, mas pode adicionar coisas a ela. Nunca é demais ter referências, quanto mais, mais surgem as idéias, e mais legal ficam as aventuras. Seus vilões ficarão mais ricos, mais malignos, e serão melhores oponentes para seus jogadores. E se você é um jogador, e pretende jogar com um personagem "do lado negro", este livro pode te dar "más ideias".
Mas não se esqueçam: O maior vilão dos cinemas virou casaca no último filme, e seu fantasminha apareceu vestido de branco e sorrindo...
outubro 27, 2006 in RPG | Permalink